quarta-feira, 16 de setembro de 2009

A doce teoria das janelas: pensando com botões ao vento



Pra se ler ao som de "Black Star - Radiohead"

Eu sou um menino muito besta que se faz de seco, sarcástico, ácido; mas não consegue se segurar lendo pequenas palavras antigas. Antigas? As coisas que nem foram podem ser memória?

Coisas que nem vieram a ser do jeito que deveriam ser, ou do jeito que você esperava que fossem. Pois é: isso aqui pode ser tudo verdade; ou pode ser só mais uma dessas máscaras que a gente usa quando nos convém. Nem toco no assunto de máscaras virtuais, porque não sei até que ponto existem máscaras virtuais. Sabe por quê?

Aparência e essência:

É simples: se você prestar atenção numa única nota da música, você nunca vai entender a melodia e muito menos dançar; quando você se prende aos detalhes de um rosto você nunca enxerga: se você focar um tijolo nunca vai ver a casa. Se você prestar atenção em cada letra você nunca entende a palavra; se agarrar na palavra não entende a frase; se agarrar na frase não entende o parágrafo; página, capítulo e todo resto. E o que é a vida da gente senão um imenso e desfia-a-dor livro em branco que a gente têm que escrever, e sem saber muito bem o quê escrever: essa é a grande graça dessa história toda. A cruz que a gente leva no lombo dia a dia suportando pessoas que não suportamos; e rindo à-toa quando a criança lambuza a boca com pirulito e algodão doce de uma vez só.

Mentira real x Verdade virtual

No mundo dito real a gente é

todo lado de fora; revestido das melhores roupas, do melhor penteado, langerie, perfume, esmalte, tênis. Somos detalhes materiais desviando a atenção da pessoa que existe ali. Da alma no corpo e do corpo detrás das roupas. São tantas camadas de coisas materiais escondendo aquela essência, que o primeiro impulso é desabotoar botões, ser nudez revelada; sumir com essa lonjura desgraçada.


Nesse outro mundo onde dizem que as coisas são irreais é que a essências das pessoas se revela. Uma constelações de essências, verdade, almas abertas e sem detalhes de aparências. Não, não torça o nariz: os fakes dizem mais verdades, se revelam mais do que aqueles que colocam sua melhor foto no perfil. Os fakes dizem mais verdades que todas as verdades ensaiadas daqueles que têm armaduras e escudos de aparências.


Janelas escancaradas:

As janelas abrem as almas e escondem os detalhes. Não, não há detalhes pra distrair. Doces janelas onde as almas se escancaram. São nessas janelas que segredos são revelados. São nessas maltidas janelas que os malditos 90 segundos às vezes te pegam pelo pé. São nessas janelas que estamos com aquilo que está dentro colocado pra fora.


Talvez Ela leia isso aqui e sinta um ecozinho brando que nem vento que vem debaixo da porta da cozinha. Talvez nem nada. Mas eu resolvi vir aqui psicografar alguma coisa, porque aquela coisa me balançou de novo. Besta e ridículo como sempre, abobado e idiota como só um caipira sabe ser.

Por: Marcos Vinícius Almeida




2 comentários:

Anitha Rosenrot disse...

"É simples: se você prestar atenção numa única nota da música, você nunca vai entender a melodia"
Que lindo,Marcos...

DiRenan disse...

Janelas da alma, escancaradas para quem quiser ver a paisagem além...
Ótima música também, emociona ao juntar os dois.